Dissonância


 não tente me apressar 

sou luz e mar

sou calmaria e brisa 

não venha me colocar na sua turbulência 

não me apresse 

não me aperte 


me deixa

me deixe suave amor

me deixe na minha 

não sou trem bala 

sou balão e poesia 

flutuo na vida 

não consigo acelerar 

vivo cada orvalho 

na chuva sei dançar 


e o problema é que isso te incomoda 

mas problema que te incomoda 

este fardo não é meu 

a tensão é sua 

sua pressa 

seu vulcão 


deixe eu respirar no meu compasso 

eu vou na minha imensidão 

imergindo em estrelas 

vendo a vida de um jeito harmônico 

poético 

nostálgico 

bonito 


sinto cada nota 

cada vento é alegria 

não me leve no seu vagão 

não vou nos seus braços todo dia 

seu ritmo é muito louco 

é pressão e gritaria 

você barulho e eu sinfonia 


juntos formamos uma nota dissonante 

uma nota estranha

somos aparente distorção 


mas na minha alma de poeta 

tudo dança em harmonia 

e até seu ruído angustiante 

eu torno calmaria 

sou sua paz 

sua melodia 

sou seu porto 

sua luz 

você pega a sombra da minha alegria 

eu sombreio essa magia 

que emano em aparente apatia 


não é apatia nem frieza 

é apenas um caminho paralelo num mundo feio 

caminho sobre nuvens 

ouço música em buzinas 

você vê mergulha no caos 


você força , amor e dureza 

eu liberdade, calor e paz  


concordo que te incomodo 

mas se te irrito, você me angustia 

e nesse feitiço de sol e lua 

nosso eclipse resiste às noites frias 

você teto e eu cobertor 

mas , em silêncio , mesmo junto , me deixe sonhar amor 

quieta , sem ação , com mil sentimentos, 

mas sem diálogo ou explicação

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