Outra vez
Abri os olhos e estava sentada numa praia,
sozinha.
Olhei ao redor e
não havia ninguém.
Senti uma brisa fria no estômago.
Entendi onde estava.
Eu não podia correr daquele desencontro com você. Havia chegado a hora.
Um medo pulsante do que aquilo representava me consumiu.
Eu não podia voltar , atrás só vi névoas, e tudo que vivemos não podia ser mais tocado. Deveria ficar onde estava.
Era o universo se realinhando sem sua física neste plano.
O mar me hostilizava. Eu queria prosseguir, mas a areia me tragava . Estava aterrada.
O céu encoberto era prenúncio de chuva.
Inevitável chuva.
Chuva de longas lágrimas.
Levantei aos pedaços sabendo que esta imensidão de solidão é o você em mim depois que partiu. É como ficou meu coração.
E todas as partes de uma vida com você só podem agora ser lembradas , não há permissão para construir novas histórias tendo você como personagem.
Mergulho. Vou mergulhar.
E gritarei debaixo d’água , onde ninguém ouve, mas dói da mesma forma.
Mas continuarei nadando, pois é sendo forte que se suporta a saudade.
É sendo forte que se sobrevive pra ajudar outros que amamos a viverem.
Muitas vezes vou afundar e conhecer versões minhas que antes nem sabia da existência.
Mas depois irei aplanar e respirar toda essa vida que me ensinou a viver.
Não estou mais aterrada.
A dureza do mar não me assusta mais , sobrevivi , continuo nadando.
Até poder rir com você outra vez , _outra vez_, sempre outra vez…

Lindo
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